AMIZADE, AMOR, CRYS BERNARDO, DEPOIMENTO, DESABAFO, GRATIDÃO, HOMENAGEM, MOTIVAÇÃO, PALAVRA DE DEUS, PENSAMENTOS, REFLEXÃO, SENTIMENTOS

UMA NOVA CHANCE

A vida é feita de momentos bons e ruins. Como a Bíblia diz: há tempo para todo propósito no céu. E aqui na terra vivemos sempre de acordo com nossos planos, mas nem sempre somos capazes de concluí-los, diante do inesperado que a todo instante nos acomete e nem nos damos conta.
A vida é movimento e às vezes ela muda em instantes. E é engraçado como essa fração de segundos é capaz de mudar sua vida, sua história e seus planos.
Esse ano fiz tantos planos e muitos não fui capaz de concluir e outros que estavam determinados a acontecer e, no entanto, eu jamais ousei imaginar que pudesse vivenciar.
E chegou o mês de Junho e com ele toda expectativa do período, completaria mais um ano de vida, reuniria meus amigos, participaria de concursos, iniciaria o estágio, era para ser um mês agitado, período de realizações. Mas nós não temos bolas de cristal, não sabemos que nossa vida pode estar com seus dias contados ou quando ganharemos mais alguns anos de vida.
No dia 12 de junho era para ser um dia normal: comemorar vida de solteira, ir ao salão e me arrumar para mim, afinal, dois dias depois eu iria fazer 45 anos e eu queria estar plena, linda para desfrutar deste momento. Mas aí chega meio dia e de repente sinto-me mal, dores fortes para respirar, febre alta, meu corpo não queria mais ficar vivendo aquele caos, eu queria me entregar. Minha vó de 97 anos estava do meu lado, da minha boca não saía som, eu permanecia inerte na cama, com temperatura altíssima; ela colocou suas mãos sobre mim e orou clamando a Deus por minha vida. Seu desespero mesmo sem estar ciente da gravidade, aliás, nem eu tinha, fez com que eu sentisse necessidade de lutar, havia tanto amor naquela oração, havia fé e mil motivos para não desistir de mim.
Tentei ignorar o que acontecia, reuni minhas forças e fui tentar continuar minha rotina, meu plano, aliás, tinha prova na faculdade, precisava concluir, mesmo que fosse com meu último fôlego. Os professores não permitiram que eu ficasse na sala, todos viam o estado que eu tentava ignorar. Então, fui ao médico e lá vivenciei o descaso de profissionais que estão deteriorando ainda mais um sistema falido. Voltei para casa e só queria descansar, meu corpo já parecia não querer viver, eu sentia como se a vida estivesse me deixando, um zumbi ambulante que andava errante, mas precisava lutar, pois eu tinha minha família, meus amigos, eu tinha ainda uma jornada aqui.
Por isso, reuni as últimas forças que tinha e fui para clínica da família, para um atendimento agendado! E, que benção foi ter ido. Aquele talvez fosse meu último dia, mas aquela equipe não desistiu de mim, brigou para que eu tivesse uma vaga em hospital que pudesse enfim fazer o que elas não poderiam fazer, mediante as limitações do sistema básico saúde.
E de repente, lá estava eu dentro da ambulância, minha mente lutava para manter-se sã, quase não conseguia respirar. A sirene a todo vapor, mostrava a necessidade de cuidado urgente e em pleno horário do rouch, foi possível chegar ao hospital em pouco tempo.
Lá, o quebra cabeça ia se encaixando, a dor pra respirar sinalizava uma infecção grave no pulmão, poderia ser H1N1, pneumonia bacteriana, quem sabe o que seria? O isolamento e indução ao coma foi uma das medidas mais assertivas, pois naquele momento não era mais capaz de respirar sozinha. Então lá estava eu indo para o famoso túnel da escuridão! Que agonia!
Minha consciência não me deixava tranquila, queria sair dali, então puxei o aparelho e logo uma sequência de gritos, sons se mesclavam a voz do médico que dizia: Você quer morrer. E aí voltei ao coma e dessa vez fiquei por lá bom tempo, apenas reagindo aos estímulos oferecidos por cada familiar e amigos, que clamavam por minha vida e a muita demonstração de carinho e tristeza que eles vivenciaram comigo.
Se você me perguntar o que me disseram, certamente te direi que não sei, não lembro, mas sei estão lá armazenadas em meu subconsciente.
Os médicos diziam que eu precisava reagir, as chances de viver eram mínimas, a equipe médica não acreditava mais que eu fosse capaz de viver, pois a infecção tomou conta de todo meu corpo, o oxigênio era insuficiente para dar conta tudo, se eu sobrevivesse, era possível que ficasse com sequelas, talvez eu não fosse a mesma quando saísse daquele estágio. Contudo, Deus tem seu propósito para cada evento na nossa vida. Este não era meu tempo de morte.
E a igreja orou, muitas pessoas se reuniram em clamor a Deus por minha vida, amigos de meus amigos, irmãos em Cristo, muitos justos clamando a Deus por mim. Havia tanto amor em cada oração, que Deus ouviu o clamor de todos e eu voltei a vida, meio alucinando, vendo o mundo de forma estranha, o que era normal, afinal muitos medicamentos foram necessários para me manter viva. Nossa! Fiquei assustada, eram tantos aparelhos ligados e lá estava eu amarrada, eles não confiavam em mim.
Foram 30 dias no hospital, várias vezes senti a morte querendo tirar-me a vida, mas Deus estava no controle, Ele estava cuidando de mim. E como eu fui cuidada, amada.
Deus sempre levantava alguém para cuidar de mim, cada oração que eu fazia tinha resposta, eu não estava sozinha lá!
Ele estava cuidando de mim.
Os propósitos de Deus para nossa vida não tem fim.
Eu poderia ter voltado do coma com sequelas, com problemas cognitivos severos, visto que a quantidade de oxigênio não era suficiente para o cérebro. Mas, graças a Deus e aos clamores de todos, eu estou bem, me readaptando e avançando de forma produtiva.
Penso em como Deus fez a diferença ao conduzir minha história, quando os médicos diziam ou proferiram algo aterrorizante com seus prazos e impossibilidade, Deus mostrava que ELE não mudou sua forma de agir.
Quando não achamos saída ELE cria portas.
Assim eu fui vivenciando cada milagre dia após dia. Hoje ainda estou me recuperando, porém em casa, pois Deus ouviu nossas orações e tem me dado vitória em cada situação que se apresenta
Eu agradeço a Deus pelo meu renascimento, à minha família pelo cuidado diário, pelo mimo, pelo carinho e amor com que zelam por mim, aos amigos que sempre estiveram e estão do meu lado, me apoiando de todas as formas, tornando-se enfermeiras, arrumadeiras, cozinheiras, patrocinadoras, ajudantes, motoristas, fazendo tudo para que eu fique bem.
Não tem valor que pague tanto amor.
Agradeço as pessoas que Deus levantou no hospital para zelar por minha vida, as pessoas que não puderam estar presentes, mas oraram por mim.
A cada um que elevou seus pensamentos e orações a Deus, que investiram seu tempo para orar por mim e me visitar: meu muito obrigado.
Essa experiência fez se realizar em minha vida a palavra de Deus em Provérbios 17 v 17:
“Em todo tempo ama o amigo e na Angustia, nasce um irmão”.
Eu estou me recuperando de forma rápida, porque eu tenho um Deus que está sempre zelando por meu bem estar.
Diante do inesperado o que devemos fazer diariamente é: Entregar a vida a Deus e ter a certeza de que ELE fará o melhor mim e por você.

Mais uma vez obrigada a todos.

By Cris Bernardo

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